O paradoxo de mudar sem deixar de ser quem sou e o complexo da Richeh
Acho que desde sempre sofro com uma enorme crise de identidade.
Até hoje tento me encontrar e entender quem eu sou, quais são os meus valores, as coisas que eu gosto, ao mesmo tempo que morro de medo de ser quem eu não sou...
Doideira, né?
Me apresentar para alguém e falar sobre mim ainda é algo difícil, e às vezes sinto que é superficial e que tenho que me esforçar demais para encontrar palavras para me descrever como pessoa, falar sobre as coisas que eu gosto, principalmente ranqueá-las... Ao mesmo tempo, eu tenho total consciência da minha pessoa, principalmente dos meus direitos (alguns deles) e de algumas características do meu ser.
Mas, claro, é incompleto. Sei que a nossa identidade se forma com o tempo e com a vida. Sei que tem muita gente perdida por aí tentando se encontrar...
Mas, sei lá, eu queria que fosse mais fácil para mim descrever quem eu sou . Entender quem eu sou....
Eu sou a Sakura, sou a Manuela, eu tenho diversos nomes e alter egos e cada um deles carrega uma história.
Sou introvertida e minha capacidade social, principalmente em sociedade, não é muito boa, mas tô tentando melhorar, apesar de que às vezes entro em parafuso e chego a pensar que esse mundo não é para mim...
Eu odeio listar as coisas que eu gosto. Porém, eu gosto de muitas coisas, mas não gosto de listá-las ou ranqueá-las.
Mas talvez eu consiga dar exemplos. Às vezes a gente tem que escolher algo que nos define melhor, porém há tantas coisas de que eu gosto. É difícil...
Também há muitas coisas que eu odeio. As vezes parece ser bem mais fácil listar as coisas que eu não gosto do que as coisas que eu gosto.
Eu preciso aprender a reconhecer todas essas coisas. Desde hobbies a valores, e refletir isso na sociedade, como uma essência. Mas ainda tenho que aprender como fazer isso e conciliar também com as normas sociais e etc... Que é outra coisa que eu odeio, haha... Mas é necessário, se a gente quer viver em sociedade, ainda mais na sociedade capitalista.
Mas, eu também não quero deixar de ser eu...
E isso me lembra bastante o plot da personagem Richeh, de Witch Hat Atelier.
À primeira vista, Richeh parece apenas uma criança teimosa. Ela se recusa a estudar determinados feitiços, odeia testes e frequentemente ignora as instruções dos adultos. No entanto, esse comportamento não nasce da preguiça ou de pura rebeldia. O problema de Richeh é muito mais profundo: ela acredita que aprender do jeito que esperam dela significa perder quem ela é.
Desde pequena, Richeh encontrou alegria em criar sua própria magia. Ela gosta de experimentar, desenhar feitiços originais e expressar sua personalidade através deles. Para ela, a magia não é apenas uma ferramenta; é uma forma de identidade. Por isso, quando os adultos insistem que existe um caminho certo para aprender, ela sente que estão tentando moldá-la em outra pessoa.
É por isso que Richeh rejeita qualquer conhecimento que pareça imposto. Ela prefere descobrir tudo sozinha, mesmo que isso a torne menos eficiente. Não é uma questão de orgulho ou de acreditar que já sabe tudo; é uma tentativa de proteger sua própria identidade.
O paradoxo é que essa filosofia acaba limitando seu próprio potencial. Ao se fechar para novas formas de aprender, Richeh restringe as possibilidades da própria magia. A história mostra que existe uma diferença entre perder a individualidade e ampliar os próprios horizontes. Aprender com outras pessoas não significa abandonar quem você é; significa ganhar novas ferramentas para expressar sua própria essência.
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